The Score (Off‑Campus Book 3) – Vale a pena ler agora?

The Score Off-Campus Book 3 cover illustration featuring Allie Hayes and Dean Di Laurentis on a college campus hockey rink

Se você já se pegou folheando um romance universitário e, ao virar a primeira página, sentiu que estava prestes a tropeçar no mesmo roteiro de sempre, The Score pode ser a exceção que você precisava. O terceiro volume da série Off‑Campus, de Elle Kennedy, traz Allie Hayes e Dean Di Laurentis – duas personalidades aparentemente opostas, mas cujas vulnerabilidades internas criam um terreno fértil para um drama psicológico tão intenso quanto as cenas de paixão que o gênero costuma oferecer. A seguir, vamos analisar como a autora constrói camadas emocionais nos protagonistas, quais são os gatilhos que movimentam a trama e por que, na prática, isso significa que o livro se destaca entre os romances de campus.

Allie Hayes: a mente em estado de emergência

Allie chega ao campus como uma estudante que já está em cima da hora, carregando o peso de uma graduação que parece se desfazer em fumaça. Psicologicamente, ela vive um luto prolongado pela relação que acabou de terminar – um luto que não se restringe ao parceiro, mas que se estende à identidade que ela construiu ao longo dos últimos quatro anos. A autora demonstra isso por meio de pequenos gestos: a forma como Allie checa obsessivamente o calendário para confirmar as datas de entrega, a compulsão de refazer anotações já concluídas e a necessidade de manter conversas superficiais com amigos apenas para evitar o silêncio que lhe lembra o vazio do ex‑namorado.

Além disso, Allie exibe um padrão de autossabotagem que surge quando oportunidades de sucesso aparecem. Por exemplo, ao receber a proposta de estágio em uma agência de publicidade, ela hesita, temendo que a escolha possa confirmar um caminho que ainda não sente como próprio. Essa hesitação é um reflexo de um complexo de inferioridade enraizado em sua infância, quando seus pais, embora bem‑intencionados, a pressionavam a seguir carreiras “seguras”. À medida que o enredo avança, Allie passa por um processo de reestruturação cognitiva: começa a questionar a voz interna que a rotula como “coração partido” e, gradualmente, substitui dúvidas por afirmações de autonomia, como quando decide inscrever-se em um concurso de fotografia – um hobby que antes considerava hobby “inútil”.

Dean Di Laurentis: o atleta em guerra consigo mesmo

Dean, por outro lado, parece personificar o troféu humano que o esporte produz. Na superfície, ele exibe confiança, humor sarcástico e um repertório de conquistas que o deixam em um pedestal social. No entanto, a narrativa revela que esse exterior impecável esconde um transtorno de ansiedade ligado à performance. Cada partida, cada entrevista, cada fofoca sobre sua vida amorosa pesa como um juiz que o observa constantemente.

Um ponto crucial para entender Dean é a sua relação com o conceito de “score”. Para ele, a palavra representa métricas de sucesso – gols marcados, conquistas românticas, aprovação social. Quando ele conhece Allie, o “score” deixa de ser apenas estatística e passa a ser um campo de batalha interno: ele tem medo de que, ao se envolver emocionalmente, perca o controle que tanto o define. Essa resistência aparece em diálogos rápidos, repletos de sarcasmo, que mascaram dúvidas profundas, como quando ele murmura, “não sou bom em sentimentos, sou melhor em levantar a lâmina do meu taco”.

Ao longo das páginas, Dean demonstra comportamento evitativo típico de quem tem medo de abandono – ele se entrega ao prazer momentâneo da paixão física, mas se distancia antes que a intimidade se aprofunde. Esse padrão está interligado ao trauma de uma infância marcada pela ausência do pai, que morreu em um acidente de carro quando Dean ainda era adolescente. O luto não foi processado; ao invés disso, transformou‑se em uma fachada de indiferença que o protege de novas perdas.

O ponto de encontro: quando as defesas caem

O momento em que Dean e Allie se encontram pela primeira vez no quarto de hotel não é apenas um “one‑night‑stand”. É, antes de tudo, um colapso das barreiras psicológicas que ambos mantinham. Allie, ao sentir o toque de Dean, percebe que seu próprio “jogo de sobrevivência” – evitar novas dores – está sendo testado. Dean, por sua vez, sente o familiar formigamento de vulnerabilidade que ele tanto teme, mas que secretamente deseja.

Esse encontro serve como catalisador para a teoria da dissonância cognitiva: ambos experimentam desconforto ao reconhecer que suas ações não condizem com as narrativas que criaram sobre si mesmos. A partir daí, a história segue um ritmo de “mini‑clímax” em cada capítulo, permitindo que o leitor acompanhe a evolução psicológica dos personagens em pequenos passos – discussões sobre notas, dúvidas sobre futuro profissional, e confrontos com os pais.

Além disso, o universo universitário funciona como um espelho das pressões adultas: deadlines, expectativas familiares, a necessidade de escolher entre segurança e paixão. Allie, ao conversar com sua melhor amiga, revela medo de se tornar “mais uma” no currículo dos pais – o que a faz questionar a própria identidade. Dean, ao conversar com seu treinador, demonstra a pressão de ser o “herói” da equipe, o que o leva a esconder sentimentos de inadequação.

O desenvolvimento emocional como arco narrativo

Ao final do livro, Allie já não se vê como uma vítima de circunstâncias, mas como alguém que toma decisões conscientes – ela aceita o estágio, mas também estabelece limites claros com Dean, recusando‑se a ser apenas “mais um ponto no placar dele”. Dean, por outro lado, passa a reconhecer que o verdadeiro “score” não está nos troféus, mas na capacidade de confiar e ser vulnerável. Ele começa a falar sobre seu pai, confronta o medo de perder o controle e, pouco a pouco, deixa de usar o sarcasmo como escudo.

Essas transformações são sustentadas por diálogos curtos, porém carregados de subtexto, e por cenas que alternam humor ácido com momentos de introspecção profunda. Cada troca de olhares, cada frase incompleta, funciona como pista de um quebra‑cabeça psicológico que o leitor vai montando, o que confere à obra um ritmo que mantém o interesse sem cair no drama exagerado.

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